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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Voltando para casa...

Saudações, pessoal.
Como vocês puderam notar, o blog ficou inativo por uns tempos, por causas diversas que explicarei em detalhes em breve. As férias estão acabando, assim com as minhas andanças por este país gigantesco, que não se cansa de me surpeender mais e mais. Neste momento, estou numa lan house em algum canto do Rio Grande do Sul, carregado de novas idéias e experiências para compartilhar.

Para quem não está ligado nas notícias, está acontecendo (na verdade, hoje é o último dia) o 10º Forum Mundial Social, em Porto Alegre/RS. Trata-se de um grande evento anual que reúne pessoas do Brasil inteiro e até de outros países para uma série de debates sobre diversos temas sobre nosso tempo, como o desenvolvimento sustentável, as novas tendências da educação mundial, do trabalho e muito mais. É bem legal, vale a pena conferir. Nas cidades onde estão ocorrendo as conferências, aqui no RS, vários acampamentos foram armados pelas pessoas que vieram de fora para participar do evento e estão rolando shows de várias bandas locais de graça.

No dia que eu fui - cujo tema era a "luta pela verdade", que consistia num pedido para a liberação dos documentos da época da ditadura militar, em que muita gente foi presa e torturada e até hoje não se tem mais notícia dos desaparecidos - teve até um cover do Chico Buarque, que reproduziu com maestria as músicas compostas por ele nos anos de chumbo e de censura. Uma grande homenagem foi feita a todos os heróis nacionais que lutaram contra um regime ditatorial brutal e sanguinário, que são responsáveis pela nossa liberdade e pela nossa democracia (por mais falha que seja) e que, infelizmente, foram deixados de lado na memória da nossa sociedade.

É isso. Em breve estarei a caminho de casa, onde poderei finalmente organizar os pensamentos e atualizar o blog com maior frequência. Por ora, estou aproveitando os dias finais da minha viagem e registrando grandes momentos no celular (assim que estiver no meu pc, publicarei algumas fotos aqui). Tempo expirando na lan, hora de ir embora.

Para quem se interessar em conferir o que aconteceu nesses 7 dias do Forum, acesse o site: http://www.forumsocialmundial.org.br/


Abraços a todos,

Jack Waters

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Tempo de mudanças

Saudações, pessoal. Faz muito tempo desde a última vez que nos encontramos e gostaria de avisar que o blog não está morto, apenas passando por um período de recesso ocasionado pelas iminentes provas de vestibular (pra mim) e de faculdade (para o Rômulo - que ainda está sem pc - e para o Gustavo). Tenho andado afastado da net como um todo este mês para estudar mais e me dedicar à minha vida real, o que me rendeu novas aventuras e idéias, que pretendo detalhar futuramente. Por enquanto, nessas visitas esporádicas ao mundo virtual, aproveito para dar notícias aos leitores que acompanham o PP.

Nos últimos tempos tenho andado bastante por aí, viajando sempre que surge uma oportunidade legal (entenda: ir a algum lugar perto, gastando o mínimo possível) e conheci paisagens incríveis, costumes peculiares e pessoas interessantes; também reforcei os laços com meus amigos mais próximos e de longa data, ao mesmo tempo que fiz novas amizades; desenvolvi assustadoramente minha técnica na guitarra apenas dedicando a ela um tempinho todos os dias (o tempo que antes eu gastava na frente da tela do pc) e reservei um tempo aos finais de semana para assistir a vários filmes antigos e fascinantes de ficção científica (afinal, eu não deixei de ser nerd).

É incrível quando paro para repassar mentalmente tudo o que me aconteceu no período de pouco mais de um mês. Tantas loucuras e experiências, expectativas e realizações, que me fazem pensar em todas as tantas outras oportunidades que perdi ao longo de todos esses anos e nas que ainda estão por vir.

Na estrada para Alegre/ES

Não me arrependo da vida que levei, mas entendi que é hora de mudar. Estou estudando e trabalhando para dar um novo rumo ao meu destino enquanto ainda sou jovem e não "estacionei" na vida. Agora é cabeça erguida e braços abertos ao mundo!

E sobre a minha "turnê" por Minas Gerais(leia aqui), mudei alguns planos. Não apenas irei sozinho e com pouca grana a uma cidade totalmente desconhecida, mas a várias! E a primeira parada é São Paulo, onde haverá uma apresentação única do AC/DC no Brasil, e com certeza eu não posso perder! O evento ocorrerá apenas 2 dias antes da minha primeira prova de vestibular, com uma distância de 300km entre as 2 cidades, então já devem imaginar a correria que eu vou ter nessa data para dar tempo de realizar um sonho - ir a um show de uma das bandas que eu amo - e lutar pelo meu futuro (ficou poético isso, não?). Torçam por mim!

Enfim, despeço-me e aviso que talvez o blog fique sem atualização por mais uns dias, pois falta apenas uma semana para o ENEM e eu vou estudar feito um condenado. Agradeço novamente a todos os que nos visitam e peço desculpas por qualquer transtorno causado.

Abraços,

Jack Waters

domingo, 30 de agosto de 2009

A maldição do Santo

Saudações, pessoal.
Se tudo correu bem, eu devo voltar para casa hoje, depois de um fim de semana bastante proveitoso, em que fiquei sem acesso à internet (esta postagem foi programada na sexta feira, antes de eu viajar). A seguir, como prometido, o roteiro da minha póxima aventura de rpg, "A maldição do Santo":

A maldição do Santo

O ano é 1896, em uma vila chamada Monte Santo, no interior da Bahia. Acontecimentos recentes vêm causando inquietações na comunidade local. Desde a passagem de Antônio Conselheiro pela região, trabalhadores das fazendas estão se unindo à sua causa e fugindo para Canudos, sua terra prometida. Preocupadas em perder sua força política e sua mão-de-obra, 2 oligarquias rivais que disputam o poder local há gerações utilizam meios sujos e politicagens mesquinhas para garantir sua supremacia. Caçar e assassinar Conselheiro é sua prioridade máxima.

Bragança é a família que está atualmente no poder e também a mais rica, com amplas influências políticas e acordos financeiros ilegais, como a compra de cargos públicos e o nepotismo. Constitui-se de ricos fazendeiros produtores de café e cana-de-açúcar. Há quem diga que ainda possuem fortes laços com o tráfico negreiro, mas nada é confirmado oficialmente.

A família Pacheco detém a supremacia miliciana, com centenas de jagunços à sua disposição. Constituem-se de ricos fazendeiros produtores de cana e drogas do sertão e almejam o poder público, com um largo histórico de uso da força para atingir seus objetivos. Existem rumores de que a família tem ligação com bruxaria e ocultismo. Alguns vestígios estranhos foram encontrados nas redondezas da fazenda e o próprio comportamento dos membros é suspeito, mas nada é confirmado.

A Igreja, que tem grande influência na população, tende a apoiar o lado que está no poder, independente de suas motivações. Atualmente está empenhada na busca e execução de Antonio Conselheiro.


Nos arredores da civilização, uma ameaça desconhecida se esgueira pelas matas, atacando viajantes desavisados e animais indefesos. Relatos de moradores da vila - que juram se tratar do diabo em pessoa - indicam que a criatura possui um corpo humanóide, com traços bovinos, chifres cor de marfim, olhos escarlates e face negra. Costuma aparecer apenas à noite, em estradas desertas e deixa rastros de sangue e carcaças de suas vítimas.

O caso chamou a atenção da imprensa e, posteriormente, das autoridades da então capital da Nova República, o Rio de Janeiro. Investigadores da polícia foram enviados a Monte Santo para investigar o caso. (aqui os personagens entram em cena)



Dados de Monte Santo

População: 10.467 habitantes
Clima: Semi-Árido
Topografia: Algumas colinas e pequenos morros
Distância da capital (Salvador): 352km
Distância de Canudos: 50km

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Álgebra, loucura e mochila

É isso aí pessoal, é hora de voltar à ativa. Estive passando por uns problemas que me tiraram a atenção do blog, mas agora, volto com novas idéias e planos e com o humor revigorado. Como diria Nietzsche, "O que não me mata, me fortalece".

Explico agora o título aparentemente confuso e sem nexo. É o seguinte: resolvi que vou mochilar este ano. É algo que venho planejando há muito tempo mas nunca tive coragem de fazer e ando realmente precisando. Minha idéia é começar fazendo uma turnê por Minas Gerais, onde farei 3 provas de vestibular em 3 cidades diferentes que nunca estive antes. A álgebra - na verdade a matemática como um todo - entra nesta parte parte: estou me apaixonando pelos números e equações e me sinto confiante para encarar as provas deste ano. Não fosse esse ânimo, provavelmente eu não teria vontade de me aventurar. Ainda tenho muito o que estudar, mas estou no caminho certo.

Minha loucura vai ser viajar sozinho para 3 lugares completamente desconhecidos para mim, sem muita grana no bolso e sem conhecer ninguém de lá, na cara e na coragem, munido apenas de uma mochila com o essencial. No iníco do ano que vem, pretendo também ir ao RS, mas irei com uns amigos.

Saca só o estilo do meu primeiro destino (Lavras/MG)

Pretendo andar bastante por Minas e aprender o máximo que puder sobre sua cultura - que influencia muito a da minha própria cidade - e trazer boas recordações e experiências, quem sabe até conhecer uma galera louca e trocar altas idéias.

Enfim, agora é organizar tudo e por o pé na estrada. O mundo me aguarda!

Abraços,

Jack Waters

sábado, 27 de junho de 2009

O primeiro assalto a gente nunca esquece

Hoje, para variar um pouco, contarei um "causo" que aconteceu comigo já há um tempo e que todo mundo me pergunta detalhes quando comento algo a respeito: a primeira vez que fui assaltado.

Moro em uma cidade pequena, do interior. Em toda a minha vida nunca fui assaltado por aqui, mas em uma fatídica viagem, que durou apenas 25 horas, minha vida foi marcada por este fato inusitado.

O ano era 2007, eu havia viajado com um amigo para o Rio de Janeiro para assistir ao último show do Roger Waters no Brasil (pra quem não conhece, esse foi o cabeça do Pink Floyd, o grande compositor por trás de clássicos como The Wall e The Dark Side of the Moon). Era minha última oportunidade de ver de perto um dos meus maiores ídolos e eu não podia perder.


Pois bem, fomos para o Rio só com a roupa do corpo, a carteira, o celular e nada mais. O plano era tomarmos o primeiro ônibus do dia do show (que saía daqui à meia noite) e chegarmos lá de manhã (são aproximadamente 6 horas de viagem). Havíamos sido informados que a pista estava com alguns problemas em um dos trechos da viagem e que, portanto, a viagem deveria atrasar. Como o próximo ônibus só sairia ao meio dia - e precisávamos estar lá antes da noite - não quisemos arriscar e fomos no de meia noite mesmo. A porra da viagem não atrasou nem um minuto, para nosso azar, e chegamos pontualmente às 6 da manhã, sendo que o show só seria as 21h.

Passamos o dia na rodoviária Novo Rio, andando pra lá e pra cá e sentando nos bancos pra esperar a hora passar (e que raio de hora que não passava!). Os portões do local do show(Praça da apoteose) só seriam abertos às 17h e prefirimos ficar na rodoviária até às 15h, pelo menos (também tínhamos que esperar a prima desse meu amigo que tinha comprado os ingressos pra gente para entregá-los-nos e ela só sairia do trabalho por volta desse horário).

Quando estava próximo das 13h, bateu aquela fome (até então só havíamos comido alguns sanduíches) e tudo na Novo Rio era muito caro. Perguntamos a alguem por ali se havia algum restaurante por perto e fomos indicados a um numa rua ali em frente.

Pausa para descrever o cenário ao redor:

Olhando pelas muitas aberturas da rodoviária, para qualquer lado que se dirigisse os olhos havia uma favela. A paisagem chegava a ser marrom. Maluco, era morro pra tudo quanto é lado! A tal rua do restaurante ficava no pé de um e, por algum motivo completamente idiota, nós resolvemos arriscar ir até lá, sem a menor noção do perigo até então.

Descemos e fomos tranquilamente para a toca do perigo, achando uma tremenda sorte fato de haver um restaurante barato ali por perto (doce inocência). Havia um... eu não sei descrever aquilo, mas era um lugar coberto, como se fosse um grande corredor, por onde passavam alguns ônibus que circulavam pela cidade (isso já em frente a rodoviária e não dentro dela), onde se encontrava um fluxo frenético de pessoas e algumas tendinhas de doces e afins. Foi ali que aconteceu.

Caminhávamos normalmente, conversando, até que, em uma pilastra que havia no meio da calçada, dividimo-nos. Foi coisa de segundos mesmo. Neste pequeno intervalo de tempo, um rapaz magro, de aspecto pobre, veioa té mim com uma daquelas paradas de madeira usada por engraxates, oferecendo-me uma limpeza no tênis com um tal produto, muito vagabundo pelo visto. Recusei, mas ele insistiu e insistiu. A esta altura, meu amigo que não tinha olhado pra trás já estava la na frente, visto que eu comecei a andar mais devagar depois que o cara ficou me oferecendo o serviço. Apressei o passo para alcançá-lo, mas o muleque veio atrás. Quando finalmente cheguei até ele, o cara não desistiu até que eu (burro pra caralho) resolvi deixá-lo limpar meu tênis.

Meu amigo já estava olhando com aquela cara de "puta que pariu", mas eu ignorei. Queria realmente acreditar que o rapaz era mesmo um trabalhador que só tava querendo ganhar um dinheiro honesto porque passava necessidades (quando se cresce em uma cidade ingênua do interior que desconhece o abismo da maldade humana, tende-se a ter esta confiança idiota nas pessoas). Não poderia estar mais enganado.

Enquanto ele limpava meus 2 pés, um outro rapaz passou ao lado e gritou "Paga direito aí, hein!". Aí que eu comecei a me ligar que estava entrando numa furada, mas já era tarde. Terminado o serviço, o "engraxate" disse:

- É três e vinte.

Tirei o dinheiro e lhe entreguei, ao que ele responde:

- Não, é 13 e 20.

Aí eu pensei "puta que pariu!!" mas mantive a calma e perguntei ao meu amigo se ele tinha 10 reais. O filho da puta do muleque completa:

- É 13 e 20 em cada pé.

Fudeu!!

Fui pegando, com muito pesar, todo o dinheirinho que estava levando para os gastos da viagem (sorte que as passagens de volta já estavam compradas, assim como os ingressos para o show). Quando já não tinha mais nada (exceto 10 reais que consegui TIRAR DO BOLSO SEM QUE ELE VISSE E COLOCAR DE VOLTA), ele termina de ferrar tudo:

- Não, é 3 de 20!

Daí eu gelei. Eu não tinha aquela grana. Olhei pra ele com um misto de raiva e preocupação. Queria enfiar um soco na cara do infeliz (era um rapaz franzino, magrinho, desarmado), mas temi pelos companheiros dele ao redor. Não tinha como fugir, estávamos cercados. Como não consegui nem falar, meu amigo respondeu:

- Não temos não, cara!
- Não tem nem mais um real aí?

Tirei uma nota de 1 real que tinha e lhe entreguei, já saindo com meu amigo de volta pra rodoviária a passos rápidos. Ficamos mudos por um bom tempo depois, no maior cagaço. Minha maior preocupação era que acontecesse novamente. Eu estava só com 10 reais no bolso, que usaria para comer. Se alguem me assaltasse de novo e eu não tivesse um puto pra dar, o cara provavelmente ia achar que eu o estou sacaneando e ia me matar.

Apesar de ser um lugar muito movimentado e que requer segurança reforçada, a Novo Rio não conta com uma força policial muito expressiva (o que reforçou nossa preocupação pelo resto do dia)

Felizmente tudo correu bem depois disso, sem maiores incidentes. O show foi absurdamente fantástico (até o show do Kiss, este ano, aquele havia sido o melhor show da minha vida) e conseguimos voltar sãos e salvos para a casa, depois de passar a noite na rodoviária maldita e eu até cheguei a desmaiar durante o show, mas os detalhes ficam pra uma próxima postagem.

Abraços,

Jack Waters